O Prof. Pascal Paulus nesta entrevista que aqui partilho faz uma abordagem muito clara do tema da diferenciação pedagógica.
segunda-feira, 3 de setembro de 2018
Por uma diferenciação pedagógica
O Prof. Pascal Paulus nesta entrevista que aqui partilho faz uma abordagem muito clara do tema da diferenciação pedagógica.
terça-feira, 28 de agosto de 2018
Avaliação das Aprendizagens 2
Retomando a excelente entrevista dada pelo Prof. Domingos Fernandes no âmbito do Mestrado na área das Ciências da Educação, Especialização em Supervisão Pedagógica
Resposta à pergunta: "Em seu entender, quais as principais tendências que marcam a avaliação das aprendizagens e a que os professores terão, cada vez mais, de prestar atenção?" (Rui Gouveia, 2011)
Resposta à pergunta: "Em sua opinião, pode considerar-se que a avaliação formativa é já uma realidade consolidada e frequente nas práticas avaliativas dos professores em Portugal? Porquê? Assim sendo, em que medida será fácil aos professores evoluírem no sentido de práticas mais consentâneas com a avaliação formadora?" (Rui Gouveia, 2011)
Resposta à pergunta: "Numa óptica de avaliação formadora, que metodologias e instrumentos de avaliação deverão ser prioritariamente utilizados? " (Rui Gouveia, 2011)
Das respostas dadas pelo Prof. Domingos Fernandes fica bem patente a função reguladora das aprendizagens que a avaliação formativa tem.
Resposta à pergunta: "Em seu entender, quais as principais tendências que marcam a avaliação das aprendizagens e a que os professores terão, cada vez mais, de prestar atenção?" (Rui Gouveia, 2011)
Resposta à pergunta: "Em sua opinião, pode considerar-se que a avaliação formativa é já uma realidade consolidada e frequente nas práticas avaliativas dos professores em Portugal? Porquê? Assim sendo, em que medida será fácil aos professores evoluírem no sentido de práticas mais consentâneas com a avaliação formadora?" (Rui Gouveia, 2011)
Resposta à pergunta: "Numa óptica de avaliação formadora, que metodologias e instrumentos de avaliação deverão ser prioritariamente utilizados? " (Rui Gouveia, 2011)
Das respostas dadas pelo Prof. Domingos Fernandes fica bem patente a função reguladora das aprendizagens que a avaliação formativa tem.
quarta-feira, 22 de agosto de 2018
Os diversos sistemas educativos na Europa
Neste vídeo são apresentados os diversos tipos de sistemas educativos na Europa e a posição da Comissão Europeia nesta matéria.
sábado, 16 de junho de 2018
Para refletir...
Michel Serres apresenta-nos algumas das ideais mais importantes desenvolvidas no livro Petite Poucette.
domingo, 10 de junho de 2018
Qual é o papel da escola
O prof. Mário Sérgio Cortella reflete sobre o papel da escola na sociedade.
segunda-feira, 28 de maio de 2018
sábado, 12 de maio de 2018
A relação pais professores
sexta-feira, 4 de maio de 2018
quarta-feira, 25 de abril de 2018
Avaliação das Aprendizagens
Domingos Fernandes responde a várias perguntas feitas numa entrevista
"do Mestrado na área das Ciências da Educação, Especialização em Supervisão Pedagógica. Resposta à pergunta: "A Doutora Maria do Céu Roldão afirma que não existe em Portugal uma cultura de avaliação. Diz ainda que a institucionalização dos procedimentos por parte das escolas e a ausência de análise interna criam rotinas que se destinam a ser facilitadoras da prática, mas que acabam por se transformar elas próprias num fim e não em instrumentos para se chegar à avaliação que se pretende. Que comentários lhe merece esta afirmação?" (Rui Gouveia, 2011)
"Resposta à pergunta: "Que características particulares terá a avaliação que, apesar de estar tão presente nas nossas decisões diárias, a tornam tão controversa na educação (segundo Santos, L. Roldão, M.C. Alves, P. & Machado, E. entre outros)? Que mudanças implementaria na formação de base dos professores?"" (Rui Gouveia, 2011)
"Resposta à pergunta: "Os quadros de referentes da avaliação das aprendizagens repartem-se por competências, objectivos e, recentemente, metas de aprendizagem. Em sua opinião, quais as principais diferenças entre competências, metas e objectivos? Que consequências isso acarreta para as práticas avaliativas?"" (Rui Gouveia, 2011)
"do Mestrado na área das Ciências da Educação, Especialização em Supervisão Pedagógica. Resposta à pergunta: "A Doutora Maria do Céu Roldão afirma que não existe em Portugal uma cultura de avaliação. Diz ainda que a institucionalização dos procedimentos por parte das escolas e a ausência de análise interna criam rotinas que se destinam a ser facilitadoras da prática, mas que acabam por se transformar elas próprias num fim e não em instrumentos para se chegar à avaliação que se pretende. Que comentários lhe merece esta afirmação?" (Rui Gouveia, 2011)
"Resposta à pergunta: "Que características particulares terá a avaliação que, apesar de estar tão presente nas nossas decisões diárias, a tornam tão controversa na educação (segundo Santos, L. Roldão, M.C. Alves, P. & Machado, E. entre outros)? Que mudanças implementaria na formação de base dos professores?"" (Rui Gouveia, 2011)
"Resposta à pergunta: "Os quadros de referentes da avaliação das aprendizagens repartem-se por competências, objectivos e, recentemente, metas de aprendizagem. Em sua opinião, quais as principais diferenças entre competências, metas e objectivos? Que consequências isso acarreta para as práticas avaliativas?"" (Rui Gouveia, 2011)
continua
domingo, 22 de abril de 2018
segunda-feira, 16 de abril de 2018
What’s Education For
A ideia que o
vídeo apresenta para a criação de um sistema de educação capaz de preparar os
alunos para a sua vida como adulto trará grandes alterações ao sistema
atualmente em implementação, pelo menos se olharmos para a realidade
portuguesa.
Por um lado, o sistema
atual não põe uma tónica tão forte no sistema capitalista, diria mesmo que não
lhe dá sequer o espaço devido, tendo em atenção que é esse o sistema económico
e organizacional que o país segue. Por outro lado, o sistema que está a ser
implementado dá atenção quer ao estudo do eu, quer ao estudo do relacionamento
interpessoal. A questão é que eles não estão no centro do ensino e
aprendizagem, são muitas das vezes trabalhados de forma isolada e virados para a
teoria e não para a praxis.
Do vídeo pôde igualmente aperceber-me da ideia de transversalidade que o currículo deve ter,
o ensino aprendizagem focado nos problemas que a vida nos coloca no presente e
no futuro e a partir dai desenvolver os conceitos necessários para dar resposta
a estes problemas. Esta ideia de um currículo essencialmente transversal, caso
seja implementada será uma rutura com o sistema atual, pelo menos aquele que é
aplicado na maioria das escolas portuguesas.
Uma
outra ideia que vem de certa forma contrariar o status atual é o da
aprendizagem ao longo da vida, aqui o vídeo ao apresentar esta ideia vai muito mais
além do que é o conceito atualmente em voga de formação continua, ele introduz
a ideia de que a formação de cada um de nós é “única”, ou seja não existe
formação inicial e formação continua existe apenas formação que se prolonga no
tempo e que nos acompanha ao longo da nossa vida.
sábado, 7 de abril de 2018
Deep Colaboration
Explorando o conceito apresentado por Andy Hargreaves
Colaboração
profunda, uma colaboração que tem impacto e é integradora. Uma ação que é pensada, construída, refletida em conjunto pelos diversos intervenientes,
fazendo assim a diferença nos resultados obtidos pelos alunos.
O individualismo,
o imediato e o conservadorismo são 3 aspetos de uma relação funcional, com
grande interação de uns com os outros e um reforço mutuo entre eles, que tem
levado a resultados que são cada vez mais negativos.
Se queremos mais inovação,
mais empenho dos alunos, mais coisas em que os alunos estão interessados,
melhores resultados de aprendizagem temos que diminuir o individualismo e o
conservadorismo e aumentar a colaboração, entre professores, entre escolas, a
nível regional e nacional.
Comunidades de
aprendentes ao nível dos alunos, ao nível dos professores e ao nível das escolas/organização,
todos estes grupos devem desenvolver grupos de colaboração com o intuito de
aprender, de aprender uns com os outros, de aprender com a pesquisa efetuada, de
refletir em conjunto por forma a alcançar uma melhor solução, um maior
conhecimento.
Temos que pensar como uma comunidade, uma
comunidade que quer o bem dos outros, que se preocupa com os outros, que quer a
aprendizagem dos alunos e para isso age como uma comunidade, uma comunidade de
aprendizagem, uma comunidade profissional de aprendizagem
Mais
existem dois tipos de ameaças a esta comunidade, uma interior e outra exterior.
A interior vem da pressa que alguns elementos têm em construir essa
colaboração, não se refletindo sobre os assuntos, e também de os dados serem sobrevalorizados
por si só, o que leva os intervenientes a perdem o foco nas pessoas. A exterior
vem de quem efetivamente não está interessado em colaborar, estão interessados no
individualismo, estão interessados na separação dos professores, das escolas,
pretendem que os professores e as escolas sejam autónomos, tão autónomos que deixa de existir
apoio e ajuda entre eles, deixa de haver colaboração, deixa de existir aprendizagem.
Assim, a avaliação dos indivíduos passa a ser isolada, baseada num teste, num
sistema que fomenta a competição uns com os outros e que rejeita aqueles que tem
os piores resultados.
O que necessitamos
são de comunidades que se apoiem, se auxiliem, se suportem uns aos outros por
forma a se tornarem mais fortes, mais empenhadas em aprender, em investigar, em
alcançar os melhores resultados, precisamos de comunidade de aprendizagem
profissional, precisamos de colaboração profunda entre os professores.
sábado, 31 de março de 2018
Os sistemas de ensino, um caminho a seguir
Partindo dos resultados negativos que os sistemas de ensino nos dão
atualmente e por forma a justificar a rutura que tem de ser feita com o sistema
vigente apresentamos os princípios que estão na sua base e a sua profunda
ligação à organização do trabalho e de seguida constata-se que estes princípios
foram substituídos por outros e que o sistema de ensino não acompanhou essa
mudança, logo tornou-se inapropriado.
O sistema de
ensino tem de ser substituído, não reformado. Um novo sistema tem de ensinar as
crianças a pensar por forma a torna-las criativas e dessa forma prepara-las
para os desafios futuros.
terça-feira, 27 de março de 2018
A Educação no século XXI
Perante um planeta
marcado pela comunicação, pela tecnologia e pelos grandes interesses
económicos, o sistema de ensino é visto como um meio de excelência para o
perpetuar das elites governativas e económicas, assim e alheio a toda a
transformação que ocorre o sistema educativo é mantido inalterado,
incapacitando a população cada vez mais numerosa de ter capacidade de ascender
aos centros de poder e tornando-a cada vez mais dependente das benesses desse
mesmo poder. As novas tecnologias são usadas para a diversão e entretenimento
do povo, como alias já era feito pela elite de Roma com os Jogos no Circo
Máximo, muitas das vezes dando a falsa ideia de que estão ao serviço do
bem-estar de todos, desta forma as elites vão se perpetuando e acentuam o seu
poder.
Tudo na escola é
colocado em causa, esta tem de ser a nossa postura perante uma situação de
falhanço completo do sistema que é a ideia transmitida pelo vídeo. Assim
começando no espaço físico, passando pelo sistema educativo e pelo currículo e
continuando no tipo de capacitação dos professores tudo tem de ser equacionado
por forma a tornar a escola uma organização elástica, em constante evolução e
aprendizagem.
quinta-feira, 22 de março de 2018
domingo, 18 de março de 2018
EDUCAR PARA TERMOS CIDADÃOS COMPETENTES
Resumo
Neste texto apresentamos uma breve reflexão sobre como a
educação se deve organizar por forma a que os seus alunos se tornem cidadãos
competentes, cidadãos que perante um novo problema, uma nova situação, sejam
capazes de mobilizar conhecimentos, de os aplicar de forma critica e reflexiva
de modo a obter a melhor solução. Para tal é necessário que a própria Educação
seja competente e isso só será alcançado se tivermos todo um sistema mobilizado
em atingir esse desiderato, um sistema que valoriza a escola e os professores,
e estes empenhados num processo de constante mudança e inovação de maneira a
anteciparem as exigências futuras.
Assim, estruturamos este texto em dois pontos antecedidos de
uma breve introdução e terminamos com uma pequena conclusão. No primeiro ponto abordamos
o conceito de educação e de currículo, e no segundo ponto desenvolvemos os
conceitos de desenvolvimento curricular, de autonomia curricular e de
competências.
Palavras-chave
Educação, currículo, desenvolvimento curricular, professores,
autonomia
Introdução
Quando se pretende que os alunos alcancem determinadas
competências, julgadas essenciais para fazer face aos desafios futuros, estamos
implicitamente a falar da educação, portanto, torna-se necessário começar por
entender que, o que se pretende com a Educação é que as novas gerações se
apoderem dos conhecimentos e da cultura, que ao mesmo tempo sejam capazes de
transformar essa cultura e gerar novos conhecimentos, ou seja é necessário que
os discentes ao saírem do sistema tenham adquirido as competências essenciais.
Estas ao estarem definidas num currículo que de uma maneira geral é operacionalizado
de forma idêntica em todas as escolas, por todos os professores, propícia esta
aquisição? O currículo ao ter uma estrutura tão definida propícia a autonomia
curricular e a aquisição de competências?
Da educação ao Currículo
A aquisição, transformação e criação da cultura de cada
povo, de cada lugar vai sendo alcançada ao longo da nossa vida, já Dewey no início
do século XX nos dizia que “o indivíduo a ser educado está individualizado na sociedade e a sociedade é uma união
orgânica dos indivíduos” (como citado em Gaspar & Roldão, 2007, p.1)
expressando a ideia de processo individual e como processo, passa por
diferentes fases de desenvolvimento, Gaspar e Roldão (2007, p.2) definem-nos
“educação como um processo contextualizado de desenvolvimento interaccional e
contínuo do indivíduo” juntando assim o contexto as noções de processo e de
desenvolvimento.
Para executar esta Educação a
sociedade criou a “Escola” e organizou-a de acordo com um determinado “Sistema
educativo” que tem como principal alicerce o currículo, este inicialmente foi
visto como a forma de organizar a passagem de conhecimentos de uma geração para
a outra, que se formalizou e normalizou com a institucionalização da escola.
Deste modo o currículo vem da prática para a teoria, onde se vai construindo.
Gaspar e Roldão (2007, p.14)
afirmaram “que o currículo é, sobretudo, um plano, completado ou reorientado
por projetos, que resulta de um modelo explicativo para o que deve ser ensinado
e aprendido, compõe-se então de: o que, a quem, porquê e quando vai ser oferecido, como e com que é
oferecido”, tendo ficado bem plasmados todos os focos do currículo.
O facto de o currículo se basear em
diversos focos propiciou a existência de diferentes conceitos, todos eles
próximos uns dos outros, mas cada um deles valorizando mais um foco em
detrimento do outro, surgem assim diversas teorias curriculares, estas
pretendem organizar os conhecimentos, as respostas às necessidades práticas,
regular as relações entre a sociedade e a educação, sem no entanto ter a
pretensão de ser um corpo acabado e imutável, antes sim, pretende ser permeável
às influências do contexto, como alias se depreende da definição que
McClutcheon (1982) nos apresentou, em que uma teoria curricular é “um conjunto
organizado de análises, interpretações e compreensões dos fenómenos curriculares”
(como citado em Pacheco, 2007, p.31) e sendo estes fenómenos um processo em
desenvolvimento obriga que a teoria também o seja. Com esta multiplicidade de
fatores é natural que os diferentes autores tenham vindo a propor várias
teorias e mesmo que a classificação destas tenha igualmente estado sujeita a
esta situação, esta multiplicidade não deve, no entanto, ser vista como um aspeto
negativo, mas sim como positivo pois é enriquecedora do debate e da reflexão. Estes
diferentes tipos de currículo podem se agrupar dentro de 3 teorias
curriculares, a técnica, a prática e a critica (Pacheco, 2007; Kemmis, 1988).
O currículo em ação
O currículo sendo um instrumento
teórico é pensado, estruturado e organizado para ser operacionalizado, esta
também não é vista da mesma forma pelos diversos autores, pois as
características da operacionalização estão intimamente ligadas as
características do currículo. Assim, o nível de intervenção, de
contextualização, de adaptação do currículo na sua operacionalização pela
escola e pelos professores, bem como as características do controlo
organizacional consubstanciada nos diferentes tipos de normativos vai variar
conforme se trata de um currículo mais ou menos impositivo e fechado à critica,
à reflexão e ao dialogo, ou seja, a autonomia da escola e dos professores na
gestão do currículo fica à partida condicionada pela teoria curricular que foi
adotada. Este currículo em ação designa-se por Desenvolvimento Curricular e
como advém do próprio nome implica uma ideia de processo enquadrado num
normativo, sujeito à necessidade de decisões diversas no seu decurso e a um
controlo e a uma avaliação (Gaspar & Roldão, 2007), Pacheco (1996)
disse-nos que “Desenvolvimento curricular é uma prática, dinâmica e complexa,
que se processa em diversos momentos e em diferentes fases, de modo a formar um
conjunto estruturado, integrando quatro componentes principais: justificação
teórica, elaboração/planeamento, operacionalização e avaliação” (como citado em
Gaspar & Roldão, 2007, p.17-18) enquanto para Ornstein e Hunkins (2004)
“Desenvolvimento Curricular consiste em vários processos (Técnico, humanístico
e artístico) que permitem às escolas e à população escolar realizar certos
objectivos educacionais” (como citado em Gaspar & Roldão, 2007, p.18), se é
certo que em ambas as definições prevalece a ideia de processo, de continuidade
e sequencialidade do desenvolvimento curricular, a primeira definição foca
muito mais as componentes e áreas de intervenção do que a segunda.
As diversas conceções de
desenvolvimento curricular dividem-se em várias fases, não havendo um consenso
sobre estas, alguns autores subdividem uma fase em duas ou três, enquanto que
outros introduziram novos focos. No entanto existe aquilo que se designa por
“dispositivo comum” que integra as fases de conceção, operacionalização e
avaliação do currículo, é certo que estas não se interligam da mesma maneira
nas várias teorias, por exemplo na teoria técnica estas fases são lineares
enquanto que na teoria prática, associado à noção de projeto, estas fases vão
interagindo de forma continua no sentido de um ajuste e melhoramento constantes.
Num outro plano surgem os níveis de desenvolvimento curricular, o macro, o meso
e o micro que estando presentes em todas as fases não tem a mesma importância
em todas elas. Ao nível meso, a escola, e micro, a sala de aula, operacionaliza-se
e avalia-se o currículo, em quanto em termos de conceção apenas se o adequa ao
contexto. No nível macro, o do sistema educativo nacional, são definidas as
bases do currículo, enquanto que para as outras fases apenas são dadas
diretivas ou recomendações (Gaspar e Roldão, 2005). Neste processo de
desenvolvimento temos assim diferentes níveis de decisores que Pacheco (2005,
p.54) identificou como “politico/administrativo – no âmbito da administração
central; de gestão – no âmbito da escola e da administração regional; de realização
– no âmbito da sala de aula”.
Verifica-se, entretanto, que a escola e os professores não
agarraram todo este espaço de decisão, toda esta autonomia de gestão currícular
que lhes é propiciada, e isto deve-se por um lado ao facto de ao nível macro se
apregoar essa autonomia, mas continuar-se a ter uma estrutura curricular muito
centralizadora, que pouco tem sido alterada bem como os próprios conteúdos e as
diversas questões didáticas ligadas a forma de os ensinar (Roldão, 2013). Por
outro lado, o modo de agir das estruturas de gestão pedagógica existentes levou
Roldão (2013, p.138) a afirmar que “a prática e a cultura das escolas tem feito
delas um uso muito mais centrado no papel da transmissão de informações e de
directrizes no interior da hierarquia da escola do que na responsabilidade de
gestão pedagógica, curricular e didáctica que efectivamente detêm”, ao que
somamos a existência de lideranças débeis e uma natural resistência à mudança.
Se atendermos que “a autonomia curricular é vista como a possibilidade
de os professores tomarem decisões no processo de desenvolvimento curricular”
(Morgado, 2011, p. 397) estes devem em primeiro lugar como atores principais da
escola construir o projeto educativo, em colaboração com os alunos e a
sociedade local, que seja o fruto de uma reflexão critica e que de respostas às
necessidades da comunidade usando estratégias apelativas e inovadoras. Este
projeto, ao ser assumido pelos professores, leva a projetos curriculares
autónomos, adaptados ao contexto e aos alunos, potenciadores de mudanças no processo
de aprendizagem levando à aquisição de competências e consequentemente ao
sucesso dos alunos, e à verdadeira concretização do currículo.
Ao longo deste texto temos referido diversas vezes que
queremos alunos competentes, alunos que adquiram competências, é por isso fundamental
que nos debrucemos um pouco sobre o que é uma competência, o que é ser
competente. O primeiro aspeto a esclarecer é que quando estamos a falar de um
cidadão competente, e é para está finalidade que educamos, estamos a dizer que
ele tem de ser um profissional capaz de resolver os problemas e as situações
que lhe vão surgindo. Em educação o termo competência está mais associado à
aquisição de saberes, a realização de tarefas e a aprender a mobilizar estes
saberes.
Klarsfeld e Oiry (2003)
referiram que “a competência integra um conjunto de componentes: saberes,
saber-fazer e saber-ser; este tríptico identifica os conhecimentos requeridos
para uma dada actividade e traduzem-se na prática em termos de capacidades e de
comportamentos” (Gaspar, 2004, p.6,) já o Competencies Based Teacher Education nos “definiu
competência como algo adequado ao desempenho proposto ou qualificado legalmente
para “ser admitido a” ou “como ser capaz de” (Gaspar, 2004, p. 7)
ficando aqui bem espelhadas as subtilezas das diferenças entre as duas formas
de pensar sobre competências.
No entanto existem uma diversidade de pontos em comum, ambas
advogam que a competência está ligada a uma ação, a um comportamento, à
mobilização de saberes, à resolução de problemas e à tomada de decisões, de
acordo com o que Perrenoud (2001) nos disse “Concreta
ou abstracta, comum ou especializada, de acesso fácil ou difícil, uma
competência permite enfrentar e regular adequadamente um grupo de tarefas e de
situações, apelando a noções, conhecimentos, informações, procedimentos,
métodos, técnicas, bem como a outras competências mais específicas” (Gaspar,
2004, p. 8)
Conclusão
Percebe-se assim, que para que a autonomia curricular das
escolas se efetive é necessária uma mudança de atitudes dos professores, que
estes se abram à inovação e que aproveitem todas as oportunidades que já lhes
são facultadas na gestão do currículo. Estes tem a sala de aula como palco
privilegiado para a porem em prática, implementando efetivamente um ensino por
competências, mas para que isto se concretiza na totalidade são necessários
mais dois passos fundamentais, um é que os professores sejam formados ao longo
de todo o seu percurso, para serem competentes a desenvolver competências em
seus alunos e a segunda é que os decisores politico/administrativos retirem o
espartilho que existem nos normativos e nas recomendações a uma verdadeira
efetivação da autonomia curricular nas escolas.
Referências
bibliográficas
Alves, P (n.d.). Autonomia curricular: a face oculta da
(re)centralização?. Universidade do Minho.
Gaspar, M. e Roldão, M. (2007). Elementos do desenvolvimento curricular. Lisboa: Universidade
Aberta
Gaspar, M. e Roldão, M. (2005). Fases e níveis do desenvolvimento curricular. Lisboa: Universidade
Aberta
Gaspar, M. (2004, novembro). Competências em questão: contributo para a formação de professores.
Morgado, J. (2011). Projecto curricular e autonomia da
escola: das intenções às práticas. RBPAE – v.27 n.3, p 361-588.
Morgado, J. (2016). O professor como decisor curricular:
ortodoxo a cosmopolita. Brasil, Revista Tempos e Espaços em Educação n. 19,
p 55-64.
Pacheco, J (2005). Estudos
curriculares – para a compreensão critica da educação. Porto editora
Pacheco, J (2007). Currículo:
teoria e práxis (3ª ed). Porto editora
Roldão, M. (2013). Melhorar a escola – Sucesso escolar,
disciplina, motivação Org Machado, J. & Alves, J. Desenvolvimento do currículo e melhoria de processos e resultados. Porto:
Faculdade de educação e psicologia da Universidade católica portuguesa.
domingo, 11 de março de 2018
Base curricular comum
Neste vídeo Michael Young reflete sobre a necessidade da existência de um core curriculum e sobre os conhecimentos que devem fazer parte desse currículo.
A existência de um core curriculum, que obriga a existência de um currículo da escola e o importante papel que o professor assume na ligação entre estes dois currículos é outro dos temas desenvolvidos por Young.
Realço das palavras de Young que não existe um currículo que seja perfeito e que a existência de um core curriculum é um fator importante para termos um sistema educativo para Todos os alunos, um sistema democrático, equitativo e inclusivo.
A existência de um core curriculum, que obriga a existência de um currículo da escola e o importante papel que o professor assume na ligação entre estes dois currículos é outro dos temas desenvolvidos por Young.
quarta-feira, 28 de fevereiro de 2018
Educação vista por Chomsky
Noam Chomsky fala-nos sobre a doutrinação como o propósito dos sistemas educativos, do impacto da tecnologia na educação, a falta de significado da discussão dos custos da educação e a dicotomia entre avaliação e autonomia.
terça-feira, 20 de fevereiro de 2018
a construção do artigo
Como trabalho final desta Unidade didática tinha que escrever um artigo sobre um tema trabalhado ao longo do semestre, na escolha do tema residiu a primeira grande dificuldade, uma dificuldade positiva pois eram diversas as temáticas que me entusiasmavam e tinha que optar por uma.
Uma segunda grande dificuldade surgiu a seguir que foi o de ler, analisar e refletir sobre toda a informação que encontrei no espaço de tempo que disponha, posso afirmar que este foi o ponto chave do trabalho, pois por um lado obrigou-me a limitar mais a abrangência do tema que tinha escolhido e por outro lado a deixar de lado informação menos pertinente para o desenvolvimento do trabalho.
Hoje que tenho o trabalho em fase de revisão final dou-me como muito satisfeito pelas opções que tomei e com o resultado obtido, espero que as outras pessoas venham a apreciar tanto o trabalho como eu tive ao fazê-lo.
sexta-feira, 16 de fevereiro de 2018
Win Veen sobre a utilização das TIC no ensino
Win Veen aborda a utilização das TIC na educação e a posição que o professor deve adotar perante os desafios do presente e do futuro.
quinta-feira, 15 de fevereiro de 2018
A construção do blog
Há já algumas semanas que tenho vindo a refletir sobre como a construção deste blog contribuiu para a minha aprendizagem, hoje ao ler um artigo de Coutinho e Lisbôa (2011) deparei-me com os vários elementos que estão presentes num sistema de auto-formação: o desafio, o significado, a integração e o contexto relacional (Fabela, 2005).
A construção deste blog constitui-se para mim como um grande desafio, por ser a primeira vez que utilizava este tipo de ferramenta e pelas características de multimédia que possui e que eu deveria desenvolver por forma a este fazer sentido como um produto natural e não como um produto desenquadrado do contexto onde está a ser desenvolvido e do contexto das temáticas desenvolvidas.
Hoje a estratégia que tenho desenvolvido na construção do blog vai ganhando significado para mim, no entanto não a vejo como algo terminado, mas como um processo de integração de diversos conceitos, de formas e estruturas, de novas ferramentas e de novas formas de as utilizar e de as reinventar.
Continuo assim, dia após dia, a refletir sobre como produzir um produto visualmente atraente, dinâmico e interativo, construindo assim conhecimento nas temáticas educacionais e nas TIC.
quarta-feira, 7 de fevereiro de 2018
À educação cabe fornecer, de algum modo, os mapas de um mundo complexo e constantemente agitado e, ao mesmo tempo, a bússola que permite navegar através dele.
Delors, J. 1996, “Educação, Um Tesouro a Descobrir – Relatório UNESCO da Comissão
Internacional sobre Educação para o século XXI, UNESCO, Edições Asa, Porto
quarta-feira, 31 de janeiro de 2018
Imaginação
No vídeo que partilho convosco Maxine Greene reflete sobre a importância da Imaginação para todo o processo de ensino e aprendizagem, que sem Imaginação não vamos alcançar verdadeiramente uma aprendizagem significativa se não formos capaz de ver para além do que está por trás de um texto, de um quadro, de uma janela, de uma realidade.
sexta-feira, 26 de janeiro de 2018
Da Regulação à Avaliação dos Sistemas Educativos
As organizações, desde a mais pequena e simples à maior e
mais complexa, tem a preocupação de olhar para si e de se pensar se está a
atingir a sua missão, se os seus objetivos estão a ser alcançados, se o modo
como esta a funcionar, a sua orgânica é a mais adequada para os objetivos
delineados. Nesta preocupação das organizações temos subjacentes dois conceitos
fundamentais, o de regulação e o de avaliação. Iremos assim numa primeira parte
deste texto refletir sobre o processo regulador na educação onde para além do
conceito em si nos debruçaremos sobre os diversos modos de exercer essa regulação.
Na segunda parte do texto apresenta-se o conceito de avaliação e a sua aplicação
em termos de sistema educativo e daremos conta de alguns tipos de sistemas de
avaliação representativos de diversas realidades.
A Regulação dos sistemas
educativos
O dicionário Aurélio define regulação como “ato ou efeito de
regular(-se)” e regular como “sujeitar a regras, dirigir, estabelecer ordem,
conter, moderar, aferir”.
Barroso (2005) sita Dieblot (2001) para nos apresentar a
regulação como “(...) o conjunto de mecanismos que asseguram o desenvolvimento
dum determinado sistema, através de um processo complexo de reprodução e
transformação”, perante estas definições temos que qualquer tipo de
procedimento, que qualquer definição da estrutura ou de operacionalização
estamos a regular, ora, deste facto advém uma questão que é a dos atos de
regulação se tornarem avulsos e desenquadrados das ideias gerais.
Quando se fala em regulação associamos normalmente esta
função ao Estado, pois este é a fonte da grande maioria de normas e regras, a
que se junta uma perspetiva reformadora e modernizadora da função pública por
forma a desmantelar o emaranhado de processos burocráticos que se foram
instituindo fruto de medidas avulsas.
A Educação não foge a este paradigma e encontra-se
envolvida num manto burocrático, que o Estado tenta romper com novas
regulamentações, estas com uma perspetiva global e integrada, como é a Lei de Bases
do Sistema Educativo, mas que em diversas situações se vê contrariado quer por
normativos por si emitidos posteriormente quer pelo próprio aparelho da
administração pública que “boicota” muitas das medidas, ou apenas por inercia
do próprio sistema (Ramos).
Mas, atendendo ao conceito de regulação não a podemos ver
como algo exclusivo do Estado, existem outros intervenientes na Educação que
regulam igualmente o sistema como os professores, os pais e encarregados de
educação, instâncias internacionais e nacionais (por exemplo a UNICEF e o
Conselho Nacional de Educação) e as associações sindicais, patronais e
empresariais, são alguns dos atores que maior influência reguladora tem no
sistema (Barroso, 2005). Estes atores atuam sobre o sistema de forma a
defenderem os seus interesses e os seus pontos de vista e em algumas vezes são
mesmo eles que condicionam os resultados, é nesse sentido que Bauby (2002) diz
que “a regulação de um grupo social corresponde, assim, às interacções entre os
interesses particulares de cada componente do grupo e o interesse comum ou geral
do mesmo” (em Barroso, p.6). Assim, este processo de regulação ocorre em
diversos momentos, com intervenientes diferentes e com capacidade reguladora
diferente, identificam-se três momentos, um que ocorre antes da
operacionalização, outro que ocorre durante e um terceiro que acontece depois
da operacionalização.
O primeiro momento, designado por Mehel como pré-regulação e
aquele onde o Estado assume um papel mais forte, aqui podemos ir desde um
Estado centralizador e burocrático, que tudo define, que assume-se como regulador,
operacionalizador e avaliador, até um Estado regulador, onde este dinamiza a
criação de entidades autónomas para assumirem diversos papeis, tais como os de
avaliação do sistema ou os de criação e estruturação do sistema, neste caso
temos um Estado voltado para os resultados e apostado no poder regulador que a
criação de uma quase-mercado tem (Barroso, 2005). A tendência atual é para um
equilíbrio destas duas posições, tendo-se verificado nos países com tradição
reguladora um acréscimo da intervenção do Estado, por exemplo a criação de um
corpo curricular nacional igual para todos e que faz parte do currículo que as instituições,
dentro da sua autonomia, definem como currículo. Já nos países de tradição
centralizadora temos vindo a assistir por um lado ao estado a auscultar e
consultar os diversos atores com a institucionalização de órgãos de consulta ou
de aconselhamento, bem como a passar para outras entidades algumas das suas
funções num processo de descentralização e de desconcentração, podemos dar o
exemplo da autonomia que foi dada às escolas para a gestão do currículo e da
autonomia financeira, bem como a passagem de diversas competências de ordem administrativa
para as regiões e autarquias.
Segundo Barroso (2009) “assiste-se a um recuo das teorias
mais radicais do neoliberalismo e à emergência de propostas alternativas que vão
no sentido de procurar um equilíbrio entre o “Estado” e o “mercado”, ou mesmo
no sentido de superar esta dicotomia pela reactivação de formas de intervenção
sócio-comunitária na gestão da coisa pública”.
Durante a operacionalização temos aquilo que Mehel designa
por “co-regulação” (Barroso, 2009) é neste momento que os outros atores têm
grande intervenção, ao cumprirem na integra ou não as diretivas emanadas, ao
questionarem e na forma como as questionam estas medidas, na forma como reagem às
medidas e aos resultados obtidos nos diversos processos avaliativos de alunos,
professores e escolas.
O último momento regulador que Mehel designa por “pós-regulação”
(Barroso, 2009) é um momento onde se adotam medidas conjunturais com vista a
corrigir e adaptar o sistema aos objetivos preconizados e cujas medidas não
estavam a surtir efeito ou o efeito não era o suficiente para alcançar as metas
fixadas.
Avaliação do Sistema
Educativo
Segundo Roggero (2002) a avaliação desenvolve-se na esfera pública
devido ao aumento crescente de legitimação e eficiência das ações por si
desenvolvidas e refere que a avaliação consiste “em apreciar a eficácia de uma
política, comparando seus resultados aos objetivos assinalados e aos meios
disponíveis”. Ao introduzirmos este conceito na Educação deparamo-nos com uma diversidade
de situações, o conceito em si é simples e aparenta facilidade de aplicação mas
não nos esqueçamos que ele tem origem no meio económico onde os objetivos são
facilmente quantificáveis e os indicadores são simples e é fácil recolher os
dados para os construir, bem como os fatores que afetam estes objetivos são
normalmente identificados e quantificados com facilidade, na educação estamos
na esfera social, aqui deparamo-nos em diversos pontos com alguma dificuldade
em quantificar os objetivos, a construção de indicadores é em muitas situações
bastante complexa e a existência de fatores de influência é em algumas
situações tão complexa que se torna extremamente difícil quantificar o peso cada
um deles.
Atendendo a todas estas situações à volta da avaliação na Educação
a que somamos as diversas formas que o Estado assume em relação ao seu papel
compreende-se facilmente que os modelos que surgem para Avaliar a Educação são inúmeros
e bastante diferenciados um dos outros. Roggero (2002) apresenta 3 exemplos por
os considerar bastante significativos da diversidade de modelos em voga na Europa,
são eles o modelo “concorrencial inglês”, o “de “interesse geral” francês” e o “finlandês
– compromisso entre a eficácia e a igualdade”.
O sistema inglês fomenta a concorrência entre escolas e entre
alunos com o intuito de criar uma “cultura da avaliação” (Roggero, 2002) forte
que alinha com a conceção neoliberal que é aplicada na condução das politicas
económicas. Assim, o Estado constituiu dois organismos independentes com funções
de avaliação do sistema, um encarregado de adjudicar e controlar a inspeção das
escolas e outro encarregue da definição dos programas e das avaliações externas
sejam elas sumativas ou formativas.
O sistema francês é bastante centralizado, sendo o estado
que assume a avaliação do sistema através de dois organismos, um que se ocupa
da avaliação profissional dos professores e das formações e outro que avalia as
escolas e os departamentos do ministério. Ambas estas avaliações são de caráter
qualitativo e defendem a escola como um espaço único em termos nacionais por
forma a que os cidadãos sejam formados nos mesmos princípios éticos, sociais e
culturais. Juntam-se a estes mais dois organismos, um com a função de avaliar
quantitativamente o sistema com base na informação estatística recolhida e
outro independente com a atribuição de elaborar estudos sobre o sistema
avaliativo.
Na Finlândia o sistema reveste-se de contornos bastante
diferentes, primeiro porque existe um grande empenho na avaliação, esta existe
em todos os níveis do ensino, mas assenta em processos auto avaliativos dos
professores, das escolas e das entidades externas levando em conta o contexto
de cada escola. Temos assim um sistema de avaliação onde
“é possível articular os níveis da avaliação no seio das
mesmas grelhas de avaliação. A avaliação responde, ao mesmo tempo, a uma
demanda de transparência e de informação sobre o sistema educativo, emanando
das famílias, das empresas e das coletividades públicas, e a uma necessidade de
‘pilotagem’ e de regularização sentida pelos próprios atores educativos” (Roggero,
2002)
com o intuito de que o sistema seja o mais igualitário e
equitativo possível.
Nestes últimos anos tem vindo a ganhar relevo as avaliações
internacionais, como os testes PISA e TIMMS, onde se pretende avaliar as
competências adquiridas pelos alunos em várias áreas, estes testes permitem uma
análise comparativa entre as competências que os alunos dos diversos países adquiriram
e por este meio comparar os sistemas educativos desses países, se por um lado
as ilações que os diversos estados podem retirar sobre o seu sistema são muito
grandes e benéficas para o próprio sistema por outro os testes não atendem às
diversas realidades culturais e aos diversos contextos onde é aplicado e por
esse motivo há que olhar para estes resultados com um olhar critico e
reflexivo.
Referências Bibliográficas
Barroso, J. (2005, out.). O estado, a educação e a regulação das políticas públicas.
Campinas: Educ. Soc. Disponível em : http://www.cedes.unicamp.br
.
Ramos, C (sd). Regulação
dos sistemas educativos – o caso português.
Roggero, P (2002, dez.). Avaliação
dos sistemas educativos nos países da União Européia: de uma necessidade
problemática a uma prática complexa desejável. Brasil: Eccos Revista
cientifica. Disponível em:
quarta-feira, 24 de janeiro de 2018
Pensando
"a ideia fantasiosa de que as comunidades nacionais se baseiam na hipersemelhança vingou", assim como progrediu a "ideia de que a homogeneidade cultural pode contrabalançar os efeitos antissociais da desigualdade social e econômica"
Pacheco (2009) sitando Gilroy(2007)
Ao ler um artigo de Pacheco deparei-me com esta frase, ela surge na argumentação ma defesa de uma teoria curricular de instrução, em que é defendida "uma educação nacional" e "uma política do cuidado" (2009) mas o que me fez trazer para aqui esta frase não é esta teoria nem este argumento mas sim todas as situações a que podemos associar esta ideia e que nos rodeiam constantemente no mundo de hoje.
Não é minha intenção apresentar-vos aqui os meus pensamentos, aquilo que pretendo que que cada um retire para si as ilações que advém desta frase, pela minha parte cada vez que a volto a ler uma nova perspetiva abre-se a minha frente.
sábado, 20 de janeiro de 2018
Refletindo
"o conhecimento é aquele estado mental do homem que coincide com o que as coisas são"
Ortega y Gasset, (2001) em Pacheco (2009)
A pergunta que se impõe é, já atingi este estado mental? O meu conhecimento já coincide com as coisas? Não tenho uma resposta para estas questões, tenho uma diversidade de respostas, pois para cada tema, para cada assunto, ao fim ao cabo para cada conhecimento, sinto-me mais próximo ou mais afastado deste estado final.
Pergunto-me se alguma vez atingirei este estado mental? se alguma vez atingirei o conhecimento? A resposta volta a ser dúbia, não me reveja como um sábio, seja lá o que isso possa ser nos dias atuais, se é que poderemos considerar possível que atualmente alguém possa ser considerado um sábio. Esforço-me para ir construindo este conhecimento, pelo menos em relação às questões que me interessam ou me preocupam, procurando informação, observando os acontecimento, pesquisando, experimentando, escutando, ficando em silencio, falando e refletindo e com isto posso afirmar que me sinto mais ponderado, mais maduro, mais equilibrado, mais conhecedor, mais próximo da verdade.
sexta-feira, 19 de janeiro de 2018
Repensar o modelo da Educação
Volto a este tema pela importância que ele tem para a Educação, e para tal apresento mais um vídeo de Ken Robinson sobre este tema por diversos motivos, o primeiro que invoco é a forma clara como expõe as suas ideias, as metáforas que utiliza são muito ricas, claras e imaginativas. Mas mais importante que a sua capacidade argumentativa são as suas ideias, neste video volta a expor-nos a necessidade de reformar os sistemas de educação, no sentido de os tornar mais próximos dos alunos, menos homogeneizados, mais criativos e capazes de potenciar as capacidades de aprendizagem dos alunos em vez de a castrar, que é o que se passa atualmente, sistemas que tenham em atenção o que deve ser ensinado, o que os alunos querem aprender, quando querem aprender e por que o querem aprender.
domingo, 14 de janeiro de 2018
Testes PISA - O que são e para que servem
Nesta última década temos ouvido falar com bastante frequência no PISA, alguém mais distraído ainda pode pensar que se fala de algo para comer ou da cidade italiana. Na verdade estamos a falar de testes internacionais de avaliação de competências que os alunos adquiriram e são promovidos pela OCDE.
Estes Testes pretendem ajudar os países a identificar as fragilidades nos sistemas educativos, promovem uma educação de qualidade e dão pistas para a atividade letiva dos professores e para as linhas a serem reforçadas na sua preparação.
O vídeo que aqui partilho dá-nos uma boa imagem do que são os Testes PISA.
terça-feira, 2 de janeiro de 2018
OS TRILHOS DA EDUCAÇÃO NA COMUNIDADE EUROPEIA
A Comunidade Europeia desde a sua fundação tem dado atenção
às questões da Educação e Formação, o Tratado de Roma consagra esta preocupação
ao fazer referência às necessidades de formação dos cidadãos europeus por forma
a se alcançar melhores níveis de vida e combater as desigualdades. Esta aposta
na formação esteve sempre presente na instituição europeia, tendo, no entanto,
vindo a alargar o seu âmbito e os seus objetivos. Recordamo-nos dos avultados
fundos europeus que Portugal recebeu na década de 80 do século passado, no seu
processo de adesão à Comunidade, que se destinaram à formação profissional dos
cidadãos.
No final da década de 80 do século XX é lançado o programa
Erasmus, com ele a Comunidade pretende fomentar o desenvolvimento de uma
cidadania europeia, abrindo mais portas à livre circulação de pessoas, os
estudantes universitários tinham com este programa a possibilidade de
frequentarem durante 1 ou 2 semestres uma Universidade de outro pais e integrarem
este(s) semestres no seu curso. A Comunidade continuou a trilhar o seu percurso
de criação de um espaço europeu de educação e formação, são lançados programas
como o Leonardo da Vinci destinado a proporcionar aos cidadãos europeus uma
formação de excelência num pais que não o seu de origem, o programa Grundtivig destinado
a dar uma segunda oportunidade aos cidadãos que não tiveram a possibilidade de
concluir a sua educação/formação e o programa Comenius que lançava a cooperação
entre as escolas dos diversos países da comunidade. Neste conjunto de programas
salienta-se um fio condutor, o do desenvolvimento da consciência europeia, a
criação de uma cidadania europeia, respeitadora das diferentes culturas e nacionalidades,
mas valorizadora de uma identidade comum. Um outro fio condutor que se
identifica é o conceito de Educação ao Longo da Vida, pois os diversos
programas somam-se e abrangem toda vida do cidadão.
Com o lançamento da Estratégia de Lisboa (2000), a Educação
e a Formação assumem um papel ainda mais relevante, pois são considerados
elementos fulcrais para o sucesso desta Estratégia, que pretendia levar a
Europa a ultrapassar os desafios colocados pela globalização e atingir uma
sociedade baseada no conhecimento, para o qual o conceito de Educação ao Longo
da Vida é central. Não podemos deixar de ter presente que os sistemas de
educação continuam a ser responsabilidade dos vários países membros da
Comunidade Europeia pelo que esta tem tido um papel de ligação, dinamização e
harmonização das diversas politicas nacionais, para tal, e de forma a atingir
os objetivos fixados tem por um lado desenvolvido duas grandes linhas de
atuação, uma desenvolvendo recomendações e estudos ligados à Educação e
Formação e outra lançando programas de intercâmbio a vários níveis como forma de
por em campo muitas das recomendações produzidas.
São exemplos destas iniciativas a aprovação do programa para
a Educação e Formação 2010, a definição de objetivos para os sistemas de
educação e formação, o documento “Tornar o espaço europeu de aprendizagem ao
longo da vida uma realidade” que deu origens à Resolução do Conselho de 27 de
julho de 2002, a Recomendação do Parlamento Europeu e do Conselho de 18 de
dezembro de 2006 sobre as competências essenciais para a aprendizagem ao longo
da vida, o documento de trabalho dos serviços da Comissão “Escolas para o
século XXI”. Foram igualmente revitalizados e organizados de uma forma
integrada os diversos programas da Comunidade dedicados à Educação e Formação,
o novo programa Erasmos+ foi alargado em abrangência e meios e passou a coordenar
os diversos subprogramas.
Paralelamente em 1999 foi assinado a Declaração de Bolonha
sobre a criação de um espaço único Europeu de Ensino Superior, que conta
atualmente com quase todos os países da Europa. A criação deste espaço reforça
as iniciativas da Comunidade Europeia visando: possibilitar aos cidadãos um
mais fácil reconhecimento das suas formações superiores dentro do espaço
europeu; facilitar a circulação das pessoas; promover a empregabilidade e a
competitividade do ensino superior europeu; aumentar a troca de experiencias e
saberes; potenciando-se assim a criação de uma consciência europeia e de uma
sociedade do conhecimento.
Na atualidade os desafios colocados à Comunidade Europeia
têm aumentado, o grande fluxo de migrantes vindos de África e do Médio Oriente,
a crise económica e financeira, o acelerar do desenvolvimento de uma sociedade
digital e o avolumar de tensões sociopolíticas tem colocado uma cada vez maior
pressão sobre os sistemas educativos e de formação europeus, onde cada vez é
mais relevante a necessidade destes sistemas terem em conta a
multiculturalidade crescente da sociedade europeia. Para fazer face a estes
problemas uma das principais respostas da Comunidade continua a ser a aposta na
Educação/Formação dos cidadãos de forma a dota-los de uma consciência europeia,
democrática, critica e reflexiva. Veja-se por exemplo o tema do programa
eTwinning lançado para o ano de 2016 “Developing active citizenship through eTwinning”
ou o relatório da Comissão Europeia “Preparing teachers for diversity: the role
of inicial teacher education” (2017) sobre a importância de formar professores
para a diversidade étnica e cultural.
Ganha assim, cada vez mais peso a necessidade de uma
Educação ao Longo da Vida, pois a vida dos cidadãos é cada vez mais mutável e
consequentemente a Educação/Formação inicial é cada vez mais insuficiente para
o cidadão conseguir ultrapassar todos os escolhos que lhe aparecem ao longo da
vida.
Sendo certo que os desafios a ultrapassar pela Comunidade
Europeia parecem cada vez maiores, também é certo que o percurso percorrido até
aqui é muito grande e com bons resultados, esta noção não é percecionada muitas
das vezes pelo cidadão europeu, pois este apenas tem uma visão do interior da
sociedade, os cidadãos de outros continentes ao olharem para a sociedade
europeia cada vez mais veêm nela uma referência civilizacional.
Referências Bibliográficas
Comissão das Comunidades Europeias. (2007). Documento de Trabalho dos serviços da
Comissão – Escolas para o século XXI. Bruxelas
Parlamento Europeu e Conselho da União Europeia. (2006). Recomendação sobre as competências
essenciais para a aprendizagem ao longo da vida. Bruxelas: Jornal Oficial da União Europeia
PPMI. (2017).
Preparing Teachers for Diversity: the
Role of Initial Teacher Education – Final Report. Brussels: European
Commission
European
Schoolnet. (2016). Growing Digital
Citizens – Developing active citizenship trough eTwinning. Bruxelas
https://pt.wikipedia.org/wiki/Declaração_de_Bolonha
[acesso em 1/01/2018]
Imagens da internet
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