A Comunidade Europeia desde a sua fundação tem dado atenção
às questões da Educação e Formação, o Tratado de Roma consagra esta preocupação
ao fazer referência às necessidades de formação dos cidadãos europeus por forma
a se alcançar melhores níveis de vida e combater as desigualdades. Esta aposta
na formação esteve sempre presente na instituição europeia, tendo, no entanto,
vindo a alargar o seu âmbito e os seus objetivos. Recordamo-nos dos avultados
fundos europeus que Portugal recebeu na década de 80 do século passado, no seu
processo de adesão à Comunidade, que se destinaram à formação profissional dos
cidadãos.
No final da década de 80 do século XX é lançado o programa
Erasmus, com ele a Comunidade pretende fomentar o desenvolvimento de uma
cidadania europeia, abrindo mais portas à livre circulação de pessoas, os
estudantes universitários tinham com este programa a possibilidade de
frequentarem durante 1 ou 2 semestres uma Universidade de outro pais e integrarem
este(s) semestres no seu curso. A Comunidade continuou a trilhar o seu percurso
de criação de um espaço europeu de educação e formação, são lançados programas
como o Leonardo da Vinci destinado a proporcionar aos cidadãos europeus uma
formação de excelência num pais que não o seu de origem, o programa Grundtivig destinado
a dar uma segunda oportunidade aos cidadãos que não tiveram a possibilidade de
concluir a sua educação/formação e o programa Comenius que lançava a cooperação
entre as escolas dos diversos países da comunidade. Neste conjunto de programas
salienta-se um fio condutor, o do desenvolvimento da consciência europeia, a
criação de uma cidadania europeia, respeitadora das diferentes culturas e nacionalidades,
mas valorizadora de uma identidade comum. Um outro fio condutor que se
identifica é o conceito de Educação ao Longo da Vida, pois os diversos
programas somam-se e abrangem toda vida do cidadão.
Com o lançamento da Estratégia de Lisboa (2000), a Educação
e a Formação assumem um papel ainda mais relevante, pois são considerados
elementos fulcrais para o sucesso desta Estratégia, que pretendia levar a
Europa a ultrapassar os desafios colocados pela globalização e atingir uma
sociedade baseada no conhecimento, para o qual o conceito de Educação ao Longo
da Vida é central. Não podemos deixar de ter presente que os sistemas de
educação continuam a ser responsabilidade dos vários países membros da
Comunidade Europeia pelo que esta tem tido um papel de ligação, dinamização e
harmonização das diversas politicas nacionais, para tal, e de forma a atingir
os objetivos fixados tem por um lado desenvolvido duas grandes linhas de
atuação, uma desenvolvendo recomendações e estudos ligados à Educação e
Formação e outra lançando programas de intercâmbio a vários níveis como forma de
por em campo muitas das recomendações produzidas.
São exemplos destas iniciativas a aprovação do programa para
a Educação e Formação 2010, a definição de objetivos para os sistemas de
educação e formação, o documento “Tornar o espaço europeu de aprendizagem ao
longo da vida uma realidade” que deu origens à Resolução do Conselho de 27 de
julho de 2002, a Recomendação do Parlamento Europeu e do Conselho de 18 de
dezembro de 2006 sobre as competências essenciais para a aprendizagem ao longo
da vida, o documento de trabalho dos serviços da Comissão “Escolas para o
século XXI”. Foram igualmente revitalizados e organizados de uma forma
integrada os diversos programas da Comunidade dedicados à Educação e Formação,
o novo programa Erasmos+ foi alargado em abrangência e meios e passou a coordenar
os diversos subprogramas.
Paralelamente em 1999 foi assinado a Declaração de Bolonha
sobre a criação de um espaço único Europeu de Ensino Superior, que conta
atualmente com quase todos os países da Europa. A criação deste espaço reforça
as iniciativas da Comunidade Europeia visando: possibilitar aos cidadãos um
mais fácil reconhecimento das suas formações superiores dentro do espaço
europeu; facilitar a circulação das pessoas; promover a empregabilidade e a
competitividade do ensino superior europeu; aumentar a troca de experiencias e
saberes; potenciando-se assim a criação de uma consciência europeia e de uma
sociedade do conhecimento.
Na atualidade os desafios colocados à Comunidade Europeia
têm aumentado, o grande fluxo de migrantes vindos de África e do Médio Oriente,
a crise económica e financeira, o acelerar do desenvolvimento de uma sociedade
digital e o avolumar de tensões sociopolíticas tem colocado uma cada vez maior
pressão sobre os sistemas educativos e de formação europeus, onde cada vez é
mais relevante a necessidade destes sistemas terem em conta a
multiculturalidade crescente da sociedade europeia. Para fazer face a estes
problemas uma das principais respostas da Comunidade continua a ser a aposta na
Educação/Formação dos cidadãos de forma a dota-los de uma consciência europeia,
democrática, critica e reflexiva. Veja-se por exemplo o tema do programa
eTwinning lançado para o ano de 2016 “Developing active citizenship through eTwinning”
ou o relatório da Comissão Europeia “Preparing teachers for diversity: the role
of inicial teacher education” (2017) sobre a importância de formar professores
para a diversidade étnica e cultural.
Ganha assim, cada vez mais peso a necessidade de uma
Educação ao Longo da Vida, pois a vida dos cidadãos é cada vez mais mutável e
consequentemente a Educação/Formação inicial é cada vez mais insuficiente para
o cidadão conseguir ultrapassar todos os escolhos que lhe aparecem ao longo da
vida.
Sendo certo que os desafios a ultrapassar pela Comunidade
Europeia parecem cada vez maiores, também é certo que o percurso percorrido até
aqui é muito grande e com bons resultados, esta noção não é percecionada muitas
das vezes pelo cidadão europeu, pois este apenas tem uma visão do interior da
sociedade, os cidadãos de outros continentes ao olharem para a sociedade
europeia cada vez mais veêm nela uma referência civilizacional.
Referências Bibliográficas
Comissão das Comunidades Europeias. (2007). Documento de Trabalho dos serviços da
Comissão – Escolas para o século XXI. Bruxelas
Parlamento Europeu e Conselho da União Europeia. (2006). Recomendação sobre as competências
essenciais para a aprendizagem ao longo da vida. Bruxelas: Jornal Oficial da União Europeia
PPMI. (2017).
Preparing Teachers for Diversity: the
Role of Initial Teacher Education – Final Report. Brussels: European
Commission
European
Schoolnet. (2016). Growing Digital
Citizens – Developing active citizenship trough eTwinning. Bruxelas
https://pt.wikipedia.org/wiki/Declaração_de_Bolonha
[acesso em 1/01/2018]
Imagens da internet


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