Os atuais sistemas educativos estão a ser constantemente questionados, pelos alunos que não percebem porque tem de aprender aqueles conteúdos, pelos professores que não percebem a evolução do sistema e porque os alunos não estão interessados em aprender, pela escola que não percebe que tem de vivenciar o contexto onde se insere, pelos decisores políticos que estão focados principalmente nos custos do sistema e na prestação de contas que tem de fazer ao eleitorado e pela sociedade civil que por um lado questiona porque o sistema não evolui de forma a acompanha-la e por outro lado questiona e coloca em causa todas as propostas de evolução.
Esta situação deve-se ao facto de estarmos
numa mudança de era civilizacional, saindo da era moderna e iniciando a era
digital, a era da cibercultura. Os sistemas atuais, os decisores, os
professores e a sociedade estão maioritariamente ainda na era moderna, mas os
alunos e uma boa parte da sociedade já está na era da cibercultura, assim temos
aquilo que podemos designar por um choque de paradigmas que é gerador de
conflitos constantes, que irão diminuindo com o avançar do tempo e com o
consequente incremento de pessoas nascidas e formadas nesta nova era.

Temos
assim, sistemas educativos pensados e organizados na era moderna, baseados em 3
vetores, o da seletividade, o da homogeneidade e o da funcionalidade. Os diversos
sistemas não se baseiam todos no mesmo vetor, por exemplo, o sistema germânico
valoriza o vetor da funcionalidade por forma garantir a interligação ao sistema
económico, o sistema escandinavo valoriza o vetor da seletividade por forma a propiciar uma escola com iguais oportunidade para todos, que privilegia o desenvolvimento
e a felicidade da criança, o sistema anglo-saxónico que se centra no desenvolvimento
da criança e que para tal advoga um ensino individualizado e com percursos flexíveis
e o sistema do tipo latino-mediterrânico que se foca no vetor da homogeneidade, fundado em normativos, com
um tronco comum, mais ou menos extenso, onde gravitam à sua volta diversas
opções de percursos, mais ou menos complexos.
Deste modo, são as respostas do mundo passado, com os seus paradigmas, que estão a ser operacionalizadas e não as respostas para o novo mundo, para os novos paradigmas, que temos pela frente. Há que olhar para o futuro e identificar o que é que vai ser valorizado,
Figueiredo (2016) diz-nos que "Neste novo mundo, onde todos competem com todos, sem fronteiras, a capacidade de cada um para criar valor, com empenho e iniciativa, passou a ser um fator crítico de sucesso." Deverá ser este então o caminho que os sistemas educativos tem de seguir, sistemas que se foquem no desenvolvimento de competências dos alunos que lhes possibilitem criar valor, terem iniciativa e serem empenhados.
Para tal, o novo sistema educativo tem de se apropriar das tecnologias digitais, entrar na era da cibercultura, está apropriação não visa a mera introdução do digital nos métodos e técnicas pedagógicos usados, visa sim o desenvolvimento de novos métodos e de novas técnicas onde o virtual está integrado, a utilização do espaço virtual informal como um meio de aprendizagem, o estabelecimento de novos canais de comunicação entre a escola, os pais e encarregados de educação, os professores, os alunos e acrescentaria aqui os cientistas e as universidades como produtoras de conhecimento, as bibliotecas e os museus como guardiões do conhecimento, outras escolas da sua região e do seu país, mas também escolas de outros países possibilitando e potenciado a comunicação, a interação, a troca de costumes, saberes e valores de forma a desenvolver a interculturalidade com o objetivo de formar pessoas tolerantes, respeitadoras das diversidades, dinâmicas, criativas e empenhadas.

No entanto, para que o sistema funcione temos que encarar de igual forma e com iguais princípios a formação de professores e de outros profissionais ligados à escola e ao sistema educativo, pois se eles não forem dotados de competências nestas áreas dificilmente conseguiram desenvolve-las nos alunos ou pensar um sistema que seja facilitador deste desenvolvimento.
A escola desta forma, mantendo-se nas suas fronteiras físicas liberta-se delas, e torna-se numa escola global.
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