sábado, 31 de março de 2018

Os sistemas de ensino, um caminho a seguir

Partindo dos resultados negativos que os sistemas de ensino nos dão atualmente e por forma a justificar a rutura que tem de ser feita com o sistema vigente apresentamos os princípios que estão na sua base e a sua profunda ligação à organização do trabalho e de seguida constata-se que estes princípios foram substituídos por outros e que o sistema de ensino não acompanhou essa mudança, logo tornou-se inapropriado. 

O sistema de ensino tem de ser substituído, não reformado. Um novo sistema tem de ensinar as crianças a pensar por forma a torna-las criativas e dessa forma prepara-las para os desafios futuros.   



terça-feira, 27 de março de 2018

A Educação no século XXI




Perante um planeta marcado pela comunicação, pela tecnologia e pelos grandes interesses económicos, o sistema de ensino é visto como um meio de excelência para o perpetuar das elites governativas e económicas, assim e alheio a toda a transformação que ocorre o sistema educativo é mantido inalterado, incapacitando a população cada vez mais numerosa de ter capacidade de ascender aos centros de poder e tornando-a cada vez mais dependente das benesses desse mesmo poder. As novas tecnologias são usadas para a diversão e entretenimento do povo, como alias já era feito pela elite de Roma com os Jogos no Circo Máximo, muitas das vezes dando a falsa ideia de que estão ao serviço do bem-estar de todos, desta forma as elites vão se perpetuando e acentuam o seu poder.



Tudo na escola é colocado em causa, esta tem de ser a nossa postura perante uma situação de falhanço completo do sistema que é a ideia transmitida pelo vídeo. Assim começando no espaço físico, passando pelo sistema educativo e pelo currículo e continuando no tipo de capacitação dos professores tudo tem de ser equacionado por forma a tornar a escola uma organização elástica, em constante evolução e aprendizagem.

domingo, 18 de março de 2018

EDUCAR PARA TERMOS CIDADÃOS COMPETENTES



Resumo

Neste texto apresentamos uma breve reflexão sobre como a educação se deve organizar por forma a que os seus alunos se tornem cidadãos competentes, cidadãos que perante um novo problema, uma nova situação, sejam capazes de mobilizar conhecimentos, de os aplicar de forma critica e reflexiva de modo a obter a melhor solução. Para tal é necessário que a própria Educação seja competente e isso só será alcançado se tivermos todo um sistema mobilizado em atingir esse desiderato, um sistema que valoriza a escola e os professores, e estes empenhados num processo de constante mudança e inovação de maneira a anteciparem as exigências futuras.

Assim, estruturamos este texto em dois pontos antecedidos de uma breve introdução e terminamos com uma pequena conclusão. No primeiro ponto abordamos o conceito de educação e de currículo, e no segundo ponto desenvolvemos os conceitos de desenvolvimento curricular, de autonomia curricular e de competências.

Palavras-chave

Educação, currículo, desenvolvimento curricular, professores, autonomia

Introdução

Quando se pretende que os alunos alcancem determinadas competências, julgadas essenciais para fazer face aos desafios futuros, estamos implicitamente a falar da educação, portanto, torna-se necessário começar por entender que, o que se pretende com a Educação é que as novas gerações se apoderem dos conhecimentos e da cultura, que ao mesmo tempo sejam capazes de transformar essa cultura e gerar novos conhecimentos, ou seja é necessário que os discentes ao saírem do sistema tenham adquirido as competências essenciais. Estas ao estarem definidas num currículo que de uma maneira geral é operacionalizado de forma idêntica em todas as escolas, por todos os professores, propícia esta aquisição? O currículo ao ter uma estrutura tão definida propícia a autonomia curricular e a aquisição de competências?


Da educação ao Currículo

A aquisição, transformação e criação da cultura de cada povo, de cada lugar vai sendo alcançada ao longo da nossa vida, já Dewey no início do século XX nos dizia que “o indivíduo a ser educado está individualizado na sociedade e a sociedade é uma união orgânica dos indivíduos” (como citado em Gaspar & Roldão, 2007, p.1) expressando a ideia de processo individual e como processo, passa por diferentes fases de desenvolvimento, Gaspar e Roldão (2007, p.2) definem-nos “educação como um processo contextualizado de desenvolvimento interaccional e contínuo do indivíduo” juntando assim o contexto as noções de processo e de desenvolvimento.

Para executar esta Educação a sociedade criou a “Escola” e organizou-a de acordo com um determinado “Sistema educativo” que tem como principal alicerce o currículo, este inicialmente foi visto como a forma de organizar a passagem de conhecimentos de uma geração para a outra, que se formalizou e normalizou com a institucionalização da escola. Deste modo o currículo vem da prática para a teoria, onde se vai construindo.

Gaspar e Roldão (2007, p.14) afirmaram “que o currículo é, sobretudo, um plano, completado ou reorientado por projetos, que resulta de um modelo explicativo para o que deve ser ensinado e aprendido, compõe-se então de: o que, a quem, porquê e quando vai ser oferecido, como e com que é oferecido”, tendo ficado bem plasmados todos os focos do currículo.


O facto de o currículo se basear em diversos focos propiciou a existência de diferentes conceitos, todos eles próximos uns dos outros, mas cada um deles valorizando mais um foco em detrimento do outro, surgem assim diversas teorias curriculares, estas pretendem organizar os conhecimentos, as respostas às necessidades práticas, regular as relações entre a sociedade e a educação, sem no entanto ter a pretensão de ser um corpo acabado e imutável, antes sim, pretende ser permeável às influências do contexto, como alias se depreende da definição que McClutcheon (1982) nos apresentou, em que uma teoria curricular é “um conjunto organizado de análises, interpretações e compreensões dos fenómenos curriculares” (como citado em Pacheco, 2007, p.31) e sendo estes fenómenos um processo em desenvolvimento obriga que a teoria também o seja. Com esta multiplicidade de fatores é natural que os diferentes autores tenham vindo a propor várias teorias e mesmo que a classificação destas tenha igualmente estado sujeita a esta situação, esta multiplicidade não deve, no entanto, ser vista como um aspeto negativo, mas sim como positivo pois é enriquecedora do debate e da reflexão. Estes diferentes tipos de currículo podem se agrupar dentro de 3 teorias curriculares, a técnica, a prática e a critica (Pacheco, 2007; Kemmis, 1988).

O currículo em ação

O currículo sendo um instrumento teórico é pensado, estruturado e organizado para ser operacionalizado, esta também não é vista da mesma forma pelos diversos autores, pois as características da operacionalização estão intimamente ligadas as características do currículo. Assim, o nível de intervenção, de contextualização, de adaptação do currículo na sua operacionalização pela escola e pelos professores, bem como as características do controlo organizacional consubstanciada nos diferentes tipos de normativos vai variar conforme se trata de um currículo mais ou menos impositivo e fechado à critica, à reflexão e ao dialogo, ou seja, a autonomia da escola e dos professores na gestão do currículo fica à partida condicionada pela teoria curricular que foi adotada. Este currículo em ação designa-se por Desenvolvimento Curricular e como advém do próprio nome implica uma ideia de processo enquadrado num normativo, sujeito à necessidade de decisões diversas no seu decurso e a um controlo e a uma avaliação (Gaspar & Roldão, 2007), Pacheco (1996) disse-nos que “Desenvolvimento curricular é uma prática, dinâmica e complexa, que se processa em diversos momentos e em diferentes fases, de modo a formar um conjunto estruturado, integrando quatro componentes principais: justificação teórica, elaboração/planeamento, operacionalização e avaliação” (como citado em Gaspar & Roldão, 2007, p.17-18) enquanto para Ornstein e Hunkins (2004) “Desenvolvimento Curricular consiste em vários processos (Técnico, humanístico e artístico) que permitem às escolas e à população escolar realizar certos objectivos educacionais” (como citado em Gaspar & Roldão, 2007, p.18), se é certo que em ambas as definições prevalece a ideia de processo, de continuidade e sequencialidade do desenvolvimento curricular, a primeira definição foca muito mais as componentes e áreas de intervenção do que a segunda.

As diversas conceções de desenvolvimento curricular dividem-se em várias fases, não havendo um consenso sobre estas, alguns autores subdividem uma fase em duas ou três, enquanto que outros introduziram novos focos. No entanto existe aquilo que se designa por “dispositivo comum” que integra as fases de conceção, operacionalização e avaliação do currículo, é certo que estas não se interligam da mesma maneira nas várias teorias, por exemplo na teoria técnica estas fases são lineares enquanto que na teoria prática, associado à noção de projeto, estas fases vão interagindo de forma continua no sentido de um ajuste e melhoramento constantes. Num outro plano surgem os níveis de desenvolvimento curricular, o macro, o meso e o micro que estando presentes em todas as fases não tem a mesma importância em todas elas. Ao nível meso, a escola, e micro, a sala de aula, operacionaliza-se e avalia-se o currículo, em quanto em termos de conceção apenas se o adequa ao contexto. No nível macro, o do sistema educativo nacional, são definidas as bases do currículo, enquanto que para as outras fases apenas são dadas diretivas ou recomendações (Gaspar e Roldão, 2005). Neste processo de desenvolvimento temos assim diferentes níveis de decisores que Pacheco (2005, p.54) identificou como “politico/administrativo – no âmbito da administração central; de gestão – no âmbito da escola e da administração regional; de realização – no âmbito da sala de aula”.

Verifica-se, entretanto, que a escola e os professores não agarraram todo este espaço de decisão, toda esta autonomia de gestão currícular que lhes é propiciada, e isto deve-se por um lado ao facto de ao nível macro se apregoar essa autonomia, mas continuar-se a ter uma estrutura curricular muito centralizadora, que pouco tem sido alterada bem como os próprios conteúdos e as diversas questões didáticas ligadas a forma de os ensinar (Roldão, 2013). Por outro lado, o modo de agir das estruturas de gestão pedagógica existentes levou Roldão (2013, p.138) a afirmar que “a prática e a cultura das escolas tem feito delas um uso muito mais centrado no papel da transmissão de informações e de directrizes no interior da hierarquia da escola do que na responsabilidade de gestão pedagógica, curricular e didáctica que efectivamente detêm”, ao que somamos a existência de lideranças débeis e uma natural resistência à mudança.

Se atendermos que “a autonomia curricular é vista como a possibilidade de os professores tomarem decisões no processo de desenvolvimento curricular” (Morgado, 2011, p. 397) estes devem em primeiro lugar como atores principais da escola construir o projeto educativo, em colaboração com os alunos e a sociedade local, que seja o fruto de uma reflexão critica e que de respostas às necessidades da comunidade usando estratégias apelativas e inovadoras. Este projeto, ao ser assumido pelos professores, leva a projetos curriculares autónomos, adaptados ao contexto e aos alunos, potenciadores de mudanças no processo de aprendizagem levando à aquisição de competências e consequentemente ao sucesso dos alunos, e à verdadeira concretização do currículo.

Ao longo deste texto temos referido diversas vezes que queremos alunos competentes, alunos que adquiram competências, é por isso fundamental que nos debrucemos um pouco sobre o que é uma competência, o que é ser competente. O primeiro aspeto a esclarecer é que quando estamos a falar de um cidadão competente, e é para está finalidade que educamos, estamos a dizer que ele tem de ser um profissional capaz de resolver os problemas e as situações que lhe vão surgindo. Em educação o termo competência está mais associado à aquisição de saberes, a realização de tarefas e a aprender a mobilizar estes saberes.

Klarsfeld e Oiry (2003) referiram que “a competência integra um conjunto de componentes: saberes, saber-fazer e saber-ser; este tríptico identifica os conhecimentos requeridos para uma dada actividade e traduzem-se na prática em termos de capacidades e de comportamentos” (Gaspar, 2004, p.6,) já o Competencies Based Teacher Education nos “definiu competência como algo adequado ao desempenho proposto ou qualificado legalmente para “ser admitido a” ou “como ser capaz de” (Gaspar, 2004, p. 7) ficando aqui bem espelhadas as subtilezas das diferenças entre as duas formas de pensar sobre competências.

No entanto existem uma diversidade de pontos em comum, ambas advogam que a competência está ligada a uma ação, a um comportamento, à mobilização de saberes, à resolução de problemas e à tomada de decisões, de acordo com o que Perrenoud (2001) nos disse “Concreta ou abstracta, comum ou especializada, de acesso fácil ou difícil, uma competência permite enfrentar e regular adequadamente um grupo de tarefas e de situações, apelando a noções, conhecimentos, informações, procedimentos, métodos, técnicas, bem como a outras competências mais específicas” (Gaspar, 2004, p. 8)

Conclusão

Percebe-se assim, que para que a autonomia curricular das escolas se efetive é necessária uma mudança de atitudes dos professores, que estes se abram à inovação e que aproveitem todas as oportunidades que já lhes são facultadas na gestão do currículo. Estes tem a sala de aula como palco privilegiado para a porem em prática, implementando efetivamente um ensino por competências, mas para que isto se concretiza na totalidade são necessários mais dois passos fundamentais, um é que os professores sejam formados ao longo de todo o seu percurso, para serem competentes a desenvolver competências em seus alunos e a segunda é que os decisores politico/administrativos retirem o espartilho que existem nos normativos e nas recomendações a uma verdadeira efetivação da autonomia curricular nas escolas.


Referências bibliográficas

Alves, P (n.d.). Autonomia curricular: a face oculta da (re)centralização?. Universidade do Minho.
Gaspar, M. e Roldão, M. (2007). Elementos do desenvolvimento curricular. Lisboa: Universidade Aberta
Gaspar, M. e Roldão, M. (2005). Fases e níveis do desenvolvimento curricular. Lisboa: Universidade Aberta
Gaspar, M. (2004, novembro). Competências em questão: contributo para a formação de professores
Morgado, J. (2011). Projecto curricular e autonomia da escola: das intenções às práticas. RBPAE – v.27 n.3, p 361-588.
Morgado, J. (2016). O professor como decisor curricular: ortodoxo a cosmopolita. Brasil, Revista Tempos e Espaços em Educação n. 19, p 55-64.
Pacheco, J (2005). Estudos curriculares – para a compreensão critica da educação. Porto editora
Pacheco, J (2007). Currículo: teoria e práxis (3ª ed). Porto editora
Roldão, M. (2013). Melhorar a escola – Sucesso escolar, disciplina, motivação Org Machado, J. & Alves, J. Desenvolvimento do currículo e melhoria de processos e resultados. Porto: Faculdade de educação e psicologia da Universidade católica portuguesa.



domingo, 11 de março de 2018

Base curricular comum

Neste vídeo Michael Young reflete sobre a necessidade da existência de um core curriculum e sobre os conhecimentos que devem fazer parte desse currículo. 

A existência de um core curriculum, que obriga a existência de um currículo da escola e o importante papel que o professor assume na ligação entre estes dois currículos é outro dos temas desenvolvidos por Young.

Realço das palavras de Young que não existe um currículo que seja perfeito e que a existência de um core curriculum é um fator importante para termos um sistema educativo para Todos os alunos, um sistema democrático, equitativo e inclusivo.