Domingos Fernandes responde a várias perguntas feitas numa entrevista "do Mestrado na área das Ciências da Educação, Especialização em Supervisão Pedagógica. Resposta à pergunta: "A Doutora Maria do Céu Roldão afirma que não existe em Portugal uma cultura de avaliação. Diz ainda que a institucionalização dos procedimentos por parte das escolas e a ausência de análise interna criam rotinas que se destinam a ser facilitadoras da prática, mas que acabam por se transformar elas próprias num fim e não em instrumentos para se chegar à avaliação que se pretende. Que comentários lhe merece esta afirmação?" (Rui Gouveia, 2011)
"Resposta à pergunta: "Que características particulares terá a avaliação que, apesar de estar tão presente nas nossas decisões diárias, a tornam tão controversa na educação (segundo Santos, L. Roldão, M.C. Alves, P. & Machado, E. entre outros)? Que mudanças implementaria na formação de base dos professores?"" (Rui Gouveia, 2011)
"Resposta à pergunta: "Os quadros de referentes da avaliação das aprendizagens repartem-se por competências, objectivos e, recentemente, metas de aprendizagem. Em sua opinião, quais as principais diferenças entre competências, metas e objectivos? Que consequências isso acarreta para as práticas avaliativas?"" (Rui Gouveia, 2011)
A ideia que o
vídeo apresenta para a criação de um sistema de educação capaz de preparar os
alunos para a sua vida como adulto trará grandes alterações ao sistema
atualmente em implementação, pelo menos se olharmos para a realidade
portuguesa.
Por um lado, o sistema
atual não põe uma tónica tão forte no sistema capitalista, diria mesmo que não
lhe dá sequer o espaço devido, tendo em atenção que é esse o sistema económico
e organizacional que o país segue. Por outro lado, o sistema que está a ser
implementado dá atenção quer ao estudo do eu, quer ao estudo do relacionamento
interpessoal. A questão é que eles não estão no centro do ensino e
aprendizagem, são muitas das vezes trabalhados de forma isolada e virados para a
teoria e não para a praxis.
Do vídeo pôde igualmente aperceber-me da ideia de transversalidade que o currículo deve ter,
o ensino aprendizagem focado nos problemas que a vida nos coloca no presente e
no futuro e a partir dai desenvolver os conceitos necessários para dar resposta
a estes problemas. Esta ideia de um currículo essencialmente transversal, caso
seja implementada será uma rutura com o sistema atual, pelo menos aquele que é
aplicado na maioria das escolas portuguesas.
Uma
outra ideia que vem de certa forma contrariar o status atual é o da
aprendizagem ao longo da vida, aqui o vídeo ao apresentar esta ideia vai muito mais
além do que é o conceito atualmente em voga de formação continua, ele introduz
a ideia de que a formação de cada um de nós é “única”, ou seja não existe
formação inicial e formação continua existe apenas formação que se prolonga no
tempo e que nos acompanha ao longo da nossa vida.
Explorando o conceito apresentado por Andy Hargreaves
Colaboração
profunda, uma colaboração que tem impacto e é integradora. Uma ação que é pensada, construída, refletida em conjunto pelos diversos intervenientes,
fazendo assim a diferença nos resultados obtidos pelos alunos.
O individualismo,
o imediato e o conservadorismo são 3 aspetos de uma relação funcional, com
grande interação de uns com os outros e um reforço mutuo entre eles, que tem
levado a resultados que são cada vez mais negativos.
Se queremos mais inovação,
mais empenho dos alunos, mais coisas em que os alunos estão interessados,
melhores resultados de aprendizagem temos que diminuir o individualismo e o
conservadorismo e aumentar a colaboração, entre professores, entre escolas, a
nível regional e nacional.
Comunidades de
aprendentes ao nível dos alunos, ao nível dos professores e ao nível das escolas/organização,
todos estes grupos devem desenvolver grupos de colaboração com o intuito de
aprender, de aprender uns com os outros, de aprender com a pesquisa efetuada, de
refletir em conjunto por forma a alcançar uma melhor solução, um maior
conhecimento.
Temos que pensar como uma comunidade, uma
comunidade que quer o bem dos outros, que se preocupa com os outros, que quer a
aprendizagem dos alunos e para isso age como uma comunidade, uma comunidade de
aprendizagem, uma comunidade profissional de aprendizagem
Mais
existem dois tipos de ameaças a esta comunidade, uma interior e outra exterior.
A interior vem da pressa que alguns elementos têm em construir essa
colaboração, não se refletindo sobre os assuntos, e também de os dados serem sobrevalorizados
por si só, o que leva os intervenientes a perdem o foco nas pessoas. A exterior
vem de quem efetivamente não está interessado em colaborar, estão interessados no
individualismo, estão interessados na separação dos professores, das escolas,
pretendem que os professores e as escolas sejam autónomos, tão autónomos que deixa de existir
apoio e ajuda entre eles, deixa de haver colaboração, deixa de existir aprendizagem.
Assim, a avaliação dos indivíduos passa a ser isolada, baseada num teste, num
sistema que fomenta a competição uns com os outros e que rejeita aqueles que tem
os piores resultados.
O que necessitamos
são de comunidades que se apoiem, se auxiliem, se suportem uns aos outros por
forma a se tornarem mais fortes, mais empenhadas em aprender, em investigar, em
alcançar os melhores resultados, precisamos de comunidade de aprendizagem
profissional, precisamos de colaboração profunda entre os professores.